Flowblade – Primeiras impressões

Ganho a vida filmando e editando vídeos, então trocar de editor não é algo exatamente banal. Havia problemas para rodar o Lightworks (que pessoalmente amo, é simplesmente o programa que mais me adaptei com relação aos atalhos do teclado, funcionalidades, etc., mas a forma com que ele lida com o playback e ingestão de arquivos simplesmente apresenta bugs, que tornaram difícil de tolerar sob pressão, então precisava de um NLE que não engasgar, que tivesse uma interface elegante e bonita (não passa uma sensação muito boa para o cliente ver você editando uma interface que lembre o Windows MovieMaker), atalhos de teclado que fizessem sentido e um workflow de importação de mídias que não me deixasse louco.

Já estava em processo de migração de distribuição e de um notebook para um desktop, o que facilitou justificar o testar algo novo. Estava considerando dar uma segunda chance ao Kdenlive, que pelo jeito evoluiu bastante desde que o abandonei em favor do Lightworks a um ano e meio, mas perguntando a uns amigos, falaram que estavam migrando dele para o Flowblade, que era um projeto baseado na mesma biblioteca em Python que o Kdenlive já usa (era uma das poucas coisas que eu achava bom nele, “pra falar a real”), então resolvi entrar no site….

Logo nas primeiras screenshots eu já simpatizei com a criaturinha. O layout dos botões, a distribuição do espaço na interface pareceu adequado demais….

Baixei e fui “brincar” tentando editar um projeto menor que tinha aqui parado no HD, sem muita expectativa (nem esperava conseguir concluir o projeto, só queria ter material pra testar as ferramentas, entender como ele lida com efeitos, transições, etc), qual foi a minha surpresa de conseguir em uma tarde e começo de noite ter o vídeo (uma entrevista de quase meia hora) pronto, e quando digo pronto, leia-se inclusive renderizado!!!

Considerando que consegui ter essa rapidez enquanto aprendia os atalhos do programa (que são bem diferentes do Lightworks, diga-se de passagem), eu fico imaginando a velocidade que terei uma vez que fluente nos atalhos do teclado dele, quanto no Lightworks!

Apanhei um pouco no processo, tive que recorrer à documentação constantemente e alguns vídeos no Youtube, mas a cada descoberta, me parece mais que esse é o editor que vou usar pelos próximos meses.

Algumas das descobertas que me deixaram animado:

O sistema de geração de arquivos proxy é super simplificado e voltar das mídias proxy para a resolução original para o render final é algo simples e feito com uns 2 ou 3 cliques.

O playback de arquivos que costumavam travar no Lightworks é liso e sem engasgar.

A forma como ele lida com o trimming e recortes de takes é muito mais fluido e praticamente todos os modos de corte que eu usava estão presentes (embora com nomes diferentes e atalhos também, o que gerou alguma confusão no começo).

Poder usar o pacote de efeitos GMIC que já usava no GIMP a algum tempo, e com o qual já estou familiarizado é bem útil.

O sistema de geração de títulos e os efeitos são bem sensatos, pelo que me parece. Ainda não cheguei a testar as ferramentas de correção de cor, mas aparentemente são bem equiparadas às que já usava.

Concluindo, o Flowblade tem boa parte do que preciso, para quem tem quantias grandes de vídeo para editar e precisa de algo que funcione sem travas em momentos críticos, acredito que posso indica-lo sem problemas.

Fernando H. de Sousa

CEO, Gênio do Mal e Faz Tudo na Insane Machina Arts (www.insanemachina.com), usa Linux pra fazer arte desde 2008, com graus moderados de sucesso comercial. Déficit de atenção, steampunk, cristianismo, opensource, cinema, fotografia de filme e música com synths analógicos são algumas das variáveis do caos maluco que se passa na cabeça dessa criatura. Alguém falou bacon?

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